De origem indígena, incorporado pelos caboclos e difundido principalmente no Norte do Brasil, o Carimbó une sensualidade, virilidade e humor em seu bailado. Com homens e mulheres enfileirados, incia-se esta dança com ritmo e movimentos próprios, e populariza-se a cada dia.
O Carimbó é um gênero musical de origem indígena e que recebeu diversas influências por causa da miscigenação, principalmente negra, que ocorreu no Brasil ao longo do tempo. Popularizou-se principalmente em Belém e na Ilha de Marajó, onde se transformou de dança tradicional para ritmo arrojado.
A partir dos anos 60, passou a incorporar diversos elementos e instrumentos, como guitarra elétricas, saxofone e outros tipos de instrumentos de percussão. Originalmente, era tocado com o Curimbó (a palavra, em tupi, é uma corruptela), um tambor feito com troncos de árvores, e o maracá, um tipo de chocalho feito com cabaça, mas com as inúmeras influências, hoje tem bailado e instrumentos diversos, porém não há tantas diferenças no ritmo e na dança praticados nas diferentes regiões onde o ritmo é mais popular.
Roupas e acessórios chamam atenção por sua beleza e simplicidade
A dança é ritmada e bem característica. As mulheres bailam descalças e vestidas com saias rodadas, coloridas, normalmente com grandes estampas florais, blusas brancas, muitas vezes rendadas e com grandes babados, mas também camisas simples, e com acessórios, como colares e pulseiras, feitos de sementes grandes. Usam também flores nos cabelos, normalmente jasmins de Santo Antonio ou rosas. As vestes e acessórios conferem às mulheres graça, beleza e sensualidade, tornando esta dança muito sensual.
Os homens usam calças brancas, normalmente dobradas nas barras, resquícios originais da atividade de pesca e coleta de caranguejos dos manguezais. Suas vestes são mais simples e desprovidas de acessórios, para que toda a atenção seja para o bailado e para as mulheres.
Como dançar o Carimbó
O bailado deste ritmo é de beleza, sensualidade e expressão únicos. É dançado em pares, com duas fileiras onde homens e mulheres se posicionam frente a frente. Quando a dança se inicia, os homens vão até as mulheres e batem palmas, como um convite à dança. Então os pares são formados e inicia-se o bailado, com os pares girando e formando um grande círculo em sentido anti-horário. Alguns dos movimentos são bem marcados e mostram a grande influência indígena.
A característica marcante do bailado é o jogar de saias no rosto dos parceiros. As mulheres dançam perfiladas, e quando seus pares se distraem, elas jogam suas saias no rosto deles como deboche. Outro ponto alto da dança é quando, ao “jogar” as saias no rosto do parceiro, ele é vaiado pelos outros até se retirar da roda.
Modernizado, o Carimbó alcança o mundo
Tanto o ritmo musical quanto a dança, alcançaram o mundo. Primeiro, espalharam-se pelo Norte e Nordeste brasileiro, depois popularizaram-se no Sudeste, onde acontecem mais de 30 festas por ano, se destacado não só no Brasil, como no exterior, por sua graça e beleza no bailado, e por seu ritmo forte e marcante. O Carimbó entrou no mundo com tudo, e tem tudo para ficar.
Foto: texto dani
Durante décadas, a única maneira de a indústria fonográfica distribuir seu material, as gravações, era através da produção de vinis e pelos meios de comunicação audíveis: televisão e rádio. No processo de modernização, as grandes “bolachas” (como eram chamados os vinis) se transformaram em pequenos discos brilhantes, os compact discs, e com a chegada da internet, a forma como a música é distribuída sofreu profundas mudanças.